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Maternidade

Como a amamentação pode proteger os bebês e crianças da covid-19 e outras doenças?

Pediatra explica que a amamentação é uma forma de proteger os bebês contra o coronavírus e de outras doenças.

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Um balanço divulgado pelo Ministério da Saúde apontou que no mês de julho foram registrados mais de 1 mil casos de crianças menores de cinco anos internadas por conta da covid-19. Com essa marca, 2021 já superou o total de internações do ano passado registrado para essa faixa etária. O número aumentou a partir do mês de fevereiro quando houve um crescimento de 191% das hospitalizações em relação a janeiro.

Como ainda não há vacinas aprovadas para as crianças, de que forma elas podem ser protegidas contra o vírus e de outras doenças? Pela amamentação. É o que explica a pediatra, doutora em desenvolvimento infantil e especialista em aleitamento materno/ IBCLC, Honorina de Almeida, Dra. Nina.

Veja abaixo como o aleitamento materno pode beneficiar bebês e crianças que são amamentadas: 

Qual a importância da amamentação, principalmente, em tempos de pandemia? 

A amamentação é importante em qualquer época, mas, especialmente em tempos de grandes catástrofes e numa pandemia – como a que estamos vivendo agora – a amamentação toma uma importância maior ainda. O bebê humano que recebe leite materno apresenta um sistema imunológico mais sólido e isso ajuda a proteger contra as doenças e a se recuperar mais rápido se ficar doente.

Como ocorre a imunização do bebê pelo leite? 

Não sabemos ainda qual a quantidade de anticorpos necessária para que o bebê fique protegido, mas como em todas as doenças infecciosas que a mãe tem ou entra em contato o mecanismo é mesmo com a covid-19.

Existem alguns estudos que mostram evidências que os anticorpos que a mãe produz quando toma a vacina, passam para o leite. No caso da gestante, estudos mostraram que bebês nascidos de mães que tiveram covid-19 nasceram com anticorpos e de mães que tomaram a vacina também.

A mãe entra em contato com o vírus, produz anticorpos que circulam no seu corpo. Através da corrente sanguínea esses anticorpos chegam até a mama e são secretados junto com o leite. Nesse caso o bebê recebe os anticorpos prontos no que chamamos de imunidade passiva. No caso da vacina, a mãe recebe uma parte ou uma forma atenuada do vírus, que não provoca a doença, mas serve para estimular a produção de anticorpos.

Nos Estados Unidos, pesquisadores avaliaram 50 recém-nascidos de mães que tiveram covid-19 e verificaram que 78% apresentaram anticorpos. A presença de imunoglobulina A secretora no leite de mulheres recuperadas de covid-19 também foi observada. A Imunoglobulina A secretora está presente nas mucosas e é uma das grandes responsáveis por proteger o bebê contra infecções. Anticorpos anti covid-19 foram encontrados no sangue do cordão umbilical de um bebê cuja mãe recebeu vacina na gestação.

No Brasil, o caso de uma mãe médica que recebeu a vacina Coronavac na 34ª semana de gestação ganhou destaque depois que um teste no bebê revelou presença de anticorpos anti covid-19 dois dias após seu nascimento.

Mais estudos estão sendo feitos a fim de esclarecer qual é o grau de proteção que esses anticorpos oferecem e por quanto tempo.

Se a mãe tiver covid-19, ela deve parar de amamentar?

A mãe com covid-19, que esteja em condições clínicas de amamentar, deve continuar a dar o peito para o bebê. A família deve se revezar para ajudá-la nos cuidados com o bebê e ela deve usar máscara quando for amamentá-lo.

Se ela estiver internada e o bebê não puder permanecer junto, se sua condição clínica permitir, deve receber ajuda para retirar seu leite com segurança sanitária, para que seja oferecido ao bebê e para que a produção não diminua.

Se seu estado for grave, a equipe de saúde deve fazer a extração de leite que chamamos “de alívio” para que as mamas não fiquem muito cheias e seja um desconforto a mais com risco de até evoluir para uma mastite. 

Assim que estiver em condições ela poderá voltar a estimular as mamas extraindo o leite e assim que o bebê puder mamar, se for seu desejo, pode colocá-lo de novo no peito para mamar, com o estímulo da sucção do bebê o leite vai voltando aos poucos. 

Sempre que uma mãe que amamenta está doente, ela deve receber apoio para que o impacto da doença na amamentação seja o menor possível. 

A amamentação deve ser mantida ao se vacinar? Por que se vacinar? 

Sim, a amamentação deve ser mantida. Os testes clínicos para a aprovação das vacinas não podem incluir mulheres grávidas. No entanto, já se sabe muito sobre vacinas durante a gestação e assim é possível fazer recomendações que sejam seguras.

A vacina Coronavac usa a mesma tecnologia da vacina contra a influenza, por isso sabemos que é segura. Após o uso em alguns milhares de gestantes ao redor do mundo, também se viu que os efeitos colaterais das outras vacinas (Pfizer / Moderna) são muito raros.

No entanto, as gestantes e puérperas podem como qualquer outra pessoa se contaminarem com o vírus da covid-19. No entanto, estão em maior risco de apresentar infecções mais sérias, pois apresentam uma queda da imunidade que é normal nesse período e acontece para permitir que o bebê tenha um ambiente favorável ao seu desenvolvimento. 

Dessa forma, essas mulheres quando se infectam com covid-19 apresentam um quadro mais sério; um risco de pelo menos três vezes de necessitar de internação em UTI, maior probabilidade de necessitar de ventilação mecânica, 70% maior risco de morrer, além do risco aumentado de prematuridade ou óbito do bebê. 

Em relação à vacinação, os primeiros dados epidemiológicos das mais de 36.000 gestantes vacinadas nos Estados Unidos mostraram que as reações adversas apresentadas (dor local, mialgia, cefaleia e fadiga) ocorreram na mesma proporção da população em geral. Também não houve aumento de casos de abortos ou de parto prematuro. Além disso, observou-se transferência de anticorpos contra SARS-CoV2 pela placenta e pelo leite materno, o que poderia ajudar na proteção do recém-nascido.

A Federação Latino-Americana de Sociedades de Obstetrícia e Ginecologia (FLASOG), instituição científica filiada à FIGO, Federação Mundial de Ginecologia e Obstetrícia com sede em Londres, e formada por médicos ginecologistas-obstetras de todos os países da América Latina e Caribe, publicou um parecer em relação ao uso de vacinas:

Sugere que a vacinação contra a covid-19 deve incluir mulheres gestantes e lactantes com as seguintes recomendações entre outras: priorizar a vacinação nessa população, de forma voluntária e informada, avaliando risco e benefício; informar a mulher sobre os riscos e da possível maior gravidade da infecção materna; informar sobre a eficácia e segurança e os efeitos adversos das vacinas; não excluir nenhuma gestante baseado no período da gestação; dar um intervalo de pelo menos 15 dias entre a vacina contra covid-19, influenza e a vacina tríplice adulta; realizar acompanhamento da mulher que recebeu a vacina.

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