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Mulheres que inspiram

Coragem para recomeçar aos 50

Se existe hora certa para troca de carreira, que hora seria essa? Para Lucimara Pacheco a tomada de decisão veio em meio a dor da perda do seu filho único

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Profissional reconhecida pelos bons serviços prestados, muito estudo e dedicação para adquirir conhecimento na área e duas décadas de carreira na estética. Nada disso foi impedimento para agora terapeuta, Lucimara Pacheco, 54 anos, trocar de profissão. Detalhe, quando tomou essa decisão ela estava prestes a completar 50 anos.

Após o término de uma sociedade bem-sucedida, que durou 16 anos, Lucimara ainda continuou trabalhando na área por um tempo, e essa troca não foi simples, como pode parecer, porém necessária e consciente.

“Eu queria trabalhar com gente, só que eu percebi ao longo da carreira, que a estética é um serviço braçal, e exige muito esforço corporal, a capacidade de visão vai diminuindo, tem tudo isso. Foi aí que resolvi fazer faculdade de psicologia, ao mesmo tempo que entrei no curso de terapia avançada em São Paulo”, conta Lucimara.

O que ela não sabia é que esse curso de terapia, iniciado apenas por curiosidade e conhecimento pessoal, tomaria uma proporção muito maior. Em 2018, dois anos após o início do curso de terapia, ela sofreu o que nenhuma mulher espera viver, a perda do seu único filho. Em meio a todo sofrimento ficou sabendo que, se estudasse mais dois anos, se tornaria uma profissional de terapia avançada.

“Quando eu soube, eu me lembro muito que estava numa fase de muita inércia, sem vontade, sem força e, quando olhei o email, parece que subiu um negócio assim:  ‘nossa é isso’. Daí eu fui, fui aprofundando, me dedicando, fiquei encantada com os conhecimentos, com o que fui aprendendo, aquilo foi transformando minha vida. Sabe aquela insatisfação que você tem? Foi sumindo.

Satisfação pessoal e superação

Lucimara diz ter certeza que foi conduzida para o curso de terapia e que sem ele não teria forças para deixar seu filho partir.

“Uma coisa que tenho plena certeza é que eu fui conduzida para esse curso, para eu ter força de deixar meu filho ir. Eu não daria conta sem esse conhecimento que eu adquiri nesse curso, nesse trabalho. Não conseguiria, de jeito nenhum. Tem total relação com a clareza que o autoconhecimento te dá, e eu alcancei essa clareza. Só assim consegui superar a morte do meu único filho, que era e continua sendo tudo para mim. E se eu consegui, qualquer pessoa pode conseguir, não sou melhor que ninguém”.  

Ainda sobre a experiência de superação da perda do filho, Lucimara lembra que seu objetivo, quando percebeu que aquilo que fazia poderia virar uma profissão, foi ajudar pessoas. “Meu foco era esse, ajudar as pessoas a perceberem que as pessoas morrem, mas a história não”.

Idade não é limite

Para Lucimara idade não é impedimento para nada. “Enquanto você está vivo, você está aí para fazer as coisas, você vai passar experiências, umas doloridas outras não, mas toda experiência que passamos, principalmente as mais doloridas, são aprendizados muito bons. E com a morte do meu filho eu aprendi muito, hoje sou outra pessoa. Eu era uma pessoa alegre e continuo sendo. Muita coisa minha não mudou, mas a minha visão ampliou muito, graças ao processo terapêutico”.

Mais que só um trabalho, Lucimara diz que se encontrou na terapia satisfação pessoal. “O que trago hoje para as pessoas que eu atendo é também uma coisa que eu faço na minha vida. O meu trabalho é o que eu vivo, não é coisa só de livros, é a vivência. Eu trago o que foi feito comigo e funcionou e funciona com todo mundo que eu atendo”.  

Além de atender no consultório Lucimara também faz um trabalho voluntário fazendo terapia de autoconhecimento, online, em uma ONG de São Paulo, uma vez por semana.

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