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Mulheres que inspiram

Costurinha Solidária: aposentadas encontram no trabalho manual uma forma de se socializar e fazer o bem

Conheça a história de oito senhoras da melhor idade que se aposentaram, mas nem por isso se deixaram envelhecer

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Mães, esposas, educadoras, donas de casa. Até a aposentadoria chegar essa era a rotina delas. Com tempo disponível, muita energia, e talento de sobra para trabalhos manuais, há três anos Maria Alice Laguardia Lopes, 74 anos, Jaudira Tozato 70 e Edma Campo Dallorto 81 anos, resolveram fundar o Costurinha Solidária. Um grupo de senhoras que encontrou na confecção de panos de prato uma maneira de se socializarem, ao mesmo tempo que ajudam o próximo.

Jaudira conta que a Costurinha ajudou fugir da depressão “Eu estava muito acostumada a trabalhar o dia todo, ter minha ocupação, quando aposentei fiquei dentro de casa, é ruim, fiquei até meio depressiva. Então o grupo me preenche, me ajuda. Eu tenho o maior prazer, não falto um dia da costurinha. Faço com amor, prazer e carinho, faço aqui e ainda levo para casa”.

Toalhas de prato feitos pelo grupo

O tempo passou e aos poucos outras senhoras se juntaram ao grupo. Regina Dallorto 79, Denize Arrivabene 74, Dulce Arrivabene Machado, 68, Vilma Rodrigues, 52, e Vera Stein 70 anos, também fazem parte da Costurinha Solidária. Os encontros acontecem todas as quartas-feiras após o almoço, na casa de Maria Alice.

“Fico muito feliz de poder oferecer esse espaço. Não marco nada na quarta, a costurinha é prioridade. É prazeroso, a companhia das meninas é muito boa, dividimos nossas alegrias e tristezas e na nossa idade isso é muito importante”. Conta Maria Alice, única do grupo que ainda trabalha fora.

E não pense que as reuniões acontecem apenas para costurar, pintar e bordar. Vez ou outra as tardes de trabalho seguem pela noite e se transformam em jantares regados a vinho e muito animados.

Inovação

Fazendo apenas os panos de prato desde a fundação do grupo, este ano elas sentiram necessidade de diversificar a produção e partiram para algo mais elaborado. Agora, além dos panos de prato, carro chefe da Costurinha Solidária, também fazem cestos de pães e bolsas.

Além das toalhas de prato elas também fazem cestos para pães e bolsas

“Me sinto muito bem, é muito prazeroso. Quando a semana começa já fico esperando chegar a quarta para vir para cá, eu gosto do que faço, me identifico com trabalhos manuais. Moro sozinha, meus filhos são casados, e esse trabalho me preenche, conta Edma.

Filantropia

Para vender os produtos duas vezes por ano elas organizam um bazar. Todo dinheiro arrecadado durante os três dias do evento é doado para alguma entidade filantrópica previamente escolhida pelo grupo.

Por meio dessa ação já ajudaram a Casa de Resgate São Francisco de Assis, Amigas da Maternidade, Irmãs Salesianas e Aipa, grupo de Apoio Independente aos Protetores de Animais. O próximo bazar, ainda sem data definida, será em dezembro.

No grupo cada uma ajuda como pode. Denise, que fica em Vitória com as netas que estudam, começou atuar com mais intensidade depois da chegada da pandemia. “Eu fico com minhas netas que fazem faculdade, mas como estou aqui devido a pandemia me junto as meninas, quando voltar para vitória vou levar o material para fazer lá“. Conta a aposentada que sempre fez crochê, desde jovem, e também colabora com a compra de material para o grupo .

Foto: Rosi Ronquetti

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