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Colunista | Elâyne Alvarenga

Cuidar da saúde mental materna importa!

Diante da prematuridade dos filhos mães se mostram angustiadas e com medo

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Para chamar a atenção para um problema que atinge 15 milhões de crianças todos os anos ao redor do mundo, no mês de novembro é comemorado a Conscientização Mundial da Prematuridade, o chamado Novembro Roxo.

No Brasil 340 mil bebês nascem prematuros todo ano, o equivalente a 931 por dia ou a seis prematuros a cada 10 minutos. Mais de 12% dos nascimentos no país acontecem antes da gestação completar 37 semanas, o dobro do índice de países europeus. Os problemas da prematuridade vão além do baixo peso, um prematuro precisa de cuidados especiais na UTI, o que aumenta em três vezes o risco de morte e sequelas futuras para sua vida adulta. 

Diante de dados alarmantes do Ministério da Saúde, quanto o elevado número de bebes prematuros no Brasil, não podemos deixar de mencionar as questões emocionais que surgem nesse contexto. Já sabemos que a chegada de um novo membro na família, o bebê, exige uma série de cuidados após alta hospitalar, e esses cuidados aumentam quando em casos de nascimento prematuro e nascimento de baixo peso, o vai demandar da mãe e do pai estímulos para esse bebê.  

Mas o que a prematuridade pode provocar? Quando não estimulados corretamente no tempo certo, além dos atrasos cognitivos, bebês prematuros podem sofrer com atrasos no desenvolvimento motor e na linguagem. Por isso a busca por profissionais multiprofissionais como psicóloga perinatal, pediatras, neuropediatras e fonoaudiólogos, para avaliar as possíveis intervenções adequadas, prevenindo agravo ao longo do desenvolvimento infantil, psicológico e físico do bebê, é fundamental.  

A medida que essas crianças crescem, eles têm maior risco para problemas de aprendizagem e comportamentais, deficiências motoras, infecções respiratórias crônicas e doenças cardiovasculares ou diabetes, em comparação com bebês nascidos no tempo certo. 

Nos atendimentos as mães buscam orientação psicológica relatando não saber lidar com suas angústias e seus medos quanto a evolução clínica do seu bebê, mesmo que se mostrem esperançosas diante da situação. 

Há dois anos fui mãe e passei pela experiência de presenciar de dentro da UTI Neonatal, exatamente essas angustias. Assim como algumas de vocês, mamães leitoras, tive uma gestação supertranquila, parto a termo (que ocorre entre 37 e 42 semanas).

Minha bebê nasceu as 18:42h em um hospital e por volta das 23h precisou ser transferida para uma UTI Neonatal em outro hospital (único leito disponível). Enquanto me “recuperava” em um hospital até receber alta, ela estava sendo monitorada e bem cuidada em outro.  

Não conhecia aquele espaço tão silencioso e barulhento (os monitores) ao mesmo tempo. Ela foi entubada dois dias depois, e sua estadia perdurou por 12 longos e exaustivos dias. Até que teve alta.  

Cada pessoa tem sua história e suas dores. Diante da minha experiência, ali na UTIN, já formada em psicologia, encontrei na Psicologia Perinatal uma forma de acolhimento, e hoje ofereço com zelo e muita dedicação meus serviços em prol de uma qualidade a Saúde Emocional Materna durante o ciclo gravídico puerperal, que vai desde a gestação ao pós-parto.  Cuidar da saúde mental materna importa! 

E por que a cor roxa? O roxo simboliza SENSIBILIDADE e INDIVIDUALIDADE, características que são muito peculiares aos nossos pequeninos. O roxo também significa transmutação, ou seja, mudança; a arte de transformar algo em outra forma ou substância, transformação.  

Apesar do elevado número de nascimentos prematuros e os riscos neles envolvidos, a maioria da população não está ciente de que muitas vezes é possível prevenir o parto prematuro e suas consequências para a saúde do bebê. O objetivo é alertar sobre os riscos e como preveni-lo, e informar sobre as consequências do nascimento antecipado para o bebê, para sua família e para a sociedade. 

Por Elâyne Alvarenga- Psicóloga Perinatal

Foto: Divulgação, blog Maternidade de Brasília

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