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Debates sobre participação feminina encerra o 1º Seminário Capixaba de Aperfeiçoamento das coops agro

O objetivo da iniciativa foi promover um encontro entre lideranças, gestores e cooperados das coops que atuam nesse segmento no estado

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O 1º Seminário Capixaba de Aperfeiçoamento das Cooperativas do Ramo Agropecuário, realizado pelo Sistema OCB/ES em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), foi finalizado na manhã desta quinta-feira (2/12). O último dia do evento contou com um debate sobre a participação feminina no setor e uma palestra que abordou o tema “Vida e Propósito”.

O objetivo da iniciativa foi promover um encontro entre lideranças, gestores e cooperados das coops que atuam nesse segmento no estado, apresentando cases de sucesso, debatendo temas como tecnologia, inovação e intercooperação, além de discutir diversos outros assuntos relevantes para o fortalecimento do ramo. Mais de 100 pessoas, de 18 cooperativas diferentes, participaram da ação.

A manhã foi iniciada com o painel “Cooperativismo: igualar para prosperar”, com o intuito de conhecer as iniciativas elaboradas com esse enfoque e destacar o papel que as mulheres vêm desenvolvendo no agro capixaba.

Durante a sua apresentação, a palestrante trouxe uma série de indicadores e informações que mostram como essa participação acontece em âmbito nacional, estadual e dentro do contexto do cooperativismo. “As mulheres são responsáveis por 30% da gestão desse segmento (agro). Em outros campos, como a indústria (22%) e tecnologia (20%), a participação é menor. Ou seja, apesar de ser considerado um universo majoritariamente masculino, as mulheres estão presentes com força”, disse.

Apesar disso, ela destacou a necessidade de uma atuação que tenha como ponto central ampliar esses números e superar barreiras. “As mulheres são responsáveis por 8% do PIB do agro brasileiro e ainda enfrentam uma diferença salarial de até 27%. Muitas vezes, também são desconsideradas nas estatísticas, e essa invisibilidade acarreta poucas políticas públicas para elas. Essas são algumas reatlidades que queremos mudar”, disse.

Na sequência, a coordenadora do Póde Mulheres da cooperativa Cafesul, Natércia Vencioneck, contou a história de surgimento do grupo e da marca de cafés especiais produzidos pelas produtoras de Muqui. “O comércio justo trouxe uma série de reflexões dentro da cooperativa, incluindo a necessidade de estimular a participação feminina. Foi nesse contexto que nasceu o nosso projeto, que hoje dá protagonismo para as nossas mulheres”, disse.

Outra experiência registrada foi o case da Selita, apresentada pela coordenadora do Núcleo Feminino, Catarina Vasquez. Ela relembrou, antes do surgimento da ação, muitas mulheres tinham vergonha de serem produtoras. “Ao longo do tempo, elas foram conhecendo melhor a cooperativa, o estatuto e os processos de produção, e isso foi criando um sentimento de pertencimento. Hoje temos orgulho de atuarmos do agro e de fazermos parte da cooperativa”, disse.

O Núcleo Feminino da Cooabriel, o primeiro criado no Espírito Santo, também teve a sua história contada pela coordenadora da ação, Nadya Bronelle.

“Com esse projeto pioneiro, possibilitamos que mais mulheres pudessem se envolver e serem reconhecidas por seu trabalho. Os núcleos foram implantados também em outras cooperativas, permitindo que os resultados fossem ampliados. Esse é um trabalho que está apenas começando”, completou.

O debate foi encerrando com a participação das cooperadas Daiana Pinto Souza Carrari e Eliane Rodrigues, da Cafesul, e Adeir Lopes Correa, da Selita, que contaram como a participação feminina acontece na prática, além de falarem sobre as transformações que esses grupos já proporcionaram em suas vidas.  

VIDA E PROPÓSITO

Para o encerramento do 1º Seminário Capixaba de Aperfeiçoamento das Cooperativas do Ramo Agropecuário, o tema escolhido foi “Vida e Propósito”. Para falar sobre o assunto, o palestrante convidado foi Sebastião Ribeiro do Nascimento, o Zumbi, que se destacou como uma grande liderança em uma associação comunitária da região onde morava, em São Paulo, conseguindo mobilizar uma comunidade completamente desmotivada e mudando a realidade local.

Em sua fala, Zumbi lembrou da capacidade de mobilizar e de construir coletivamente, características que já fazem parte do movimento cooperativista. “Cada cidadão pode fazer a sua parte, cobrando, participando, mas também dando ideias e sugestões. Ou seja, participando ativamente. O meu papel enquanto agente comunitário é mostrar precisamos plantar aquilo que queremos colher e ter consciência de que essa plantação precisa de cuidados”, disse.

Durante a sua palestra, a liderança interagiu com o público presente, respondendo perguntas e contando as estratégias usadas para promover transformações. “As pessoas estão com vontade de fazer algo diferente, que provoque mudanças. Muitas vezes o que elas precisam é de uma motivação, de uma palavra, para poderem começar a trilhar um novo caminho. E quando a gente faz isso com a participação de muitas pessoas engajadas, o resultado é muito melhor”, continuou.

Ele também parabenizou o trabalho das cooperativas e sua participação em resultados cada vez melhores para a sociedade. “Estamos falando de transformações reais. Vocês estão cooperando para serem cada vez mais reconhecidos por todos. Isso é uma mudança de rota muito grande. Cada um de nós precisa estar se reinventando, e esse momento que participo aqui junto com as cooperativas do estado mostra que vocês estão buscando isso”, concluiu.

Fonte: Sistema OCB/ES

Foto: Divulgação

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