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Mulheres que inspiram

Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino: da necessidade ao sucesso

Conheça a história da empreendedora que transformou a venda de pijamas porta a porta em sua marca própria de moda praia e fitness

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De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa, (Sebrae), as mulheres representam 37% dos empreendedores capixabas. Mulheres como a Sônia Gomes Correia, (34), que para ajudar o marido nas despesas de casa e ficar perto do filho recém-nascido, deixou o emprego em uma loja que trabalha há vários anos e começou a vender pijamas porta a porta.

Hoje Sônia tem uma marca própria de moda praia e fitness e uma loja em um shopping de Aracruz. Suas peças são enviadas para várias cidades do país e ela se prepara para começar a exportar para os Estados Unidos e países da Europa.

Sônia, que trabalha desde os 14 anos para ajudar os pais, conta que não tinha família por perto, e quando a licença maternidade acabou, não teve coragem de deixar o filho com outra pessoa e retomar o trabalho.

“Me casei muito cedo e aos 20 anos eu tive meu primeiro filho. Meus pais moravam longe de mim, não tinha sogra, não tinha ninguém perto, então na hora de voltar da licença maternidade não tive coragem de voltar, eu tinha pena de deixar ele, porque ele mamava ainda”, relata a empresária.  

Ela conta que um amigo apresentou um representante de lingeries e ela começou a pegar pijamas para vender. Mesmo com muito medo de não conseguir pagar ela pegou R$ 300 reais em mercadoria, colocou o filho no carinho de bebê e saiu pela cidade oferecendo porta a porta.

Comecei com 300 reais morrendo de medo de não conseguir pagar e assim colocava meu filho no carrinho de bebê, levando aqueles pijamas. Depois fui comprando calcinha, sutiã e as minhas clientes me ajudando, elas davam banho no neném na casa delas. Eu ficava o dia inteiro com aquele carrinho, com um monte de sacola, dando de mama, tanto que o neném mamou até um ano e meio, mais para me ajudar mesmo, para não ter que carregar tanta coisa atrás de mim, comida essas coisas”.

FORÇA DE VONTADE

Mesmo em meio a todos os desafios Sônia foi em busca de conhecimento. Fez faculdade de pedagogia, “única que conseguia pagar na época”, como ela mesmo diz. E lá estava ela, ia estudar e levava as peças para vender na faculdade.

Foi nessa época que ela começou a vender também biquínis e produtos de sexshop. Para conseguir atender mais clientes Sônia fez um empréstimo no Nosso Crédito, do Banco do Nordeste e comprou uma moto modelo Bis. “Nessa época meu filho já estava maior e minha vizinha me ajudava, ficava com ele para mim, e com isso fui colocando mais peças”.

Depois de algum tempo surgiu um ponto para alugar, no Centro de Fundão, onde morada na época, e resolveu montar sua primeira loja física.  

“Espero poder incentivar outras mulheres, mães iguais a mim, que não tem onde deixar o filho, a tomar iniciativas. Eu já ajudei várias amigas a começar também. Porque se no começo todo mundo tivesse uma ajudinha, uma palavra que seja.  Se nós mulheres nos juntássemos para ajudar uma a outra, seria tudo mais fácil”.

EMPREENDEDORISMO FEMININO

As mulheres negras que empreendem também são maioria, sendo 54% das empreendedoras capixabas. O Espírito Santo é um dos estados que, proporcionalmente, mais possui mulheres donas de negócios, dividindo o 3º lugar com o Rio de Janeiro.

Esse dado retrata a força da mulher capixaba e empreendedora. Mesmo em meio a pandemia, elas não desistiram de seus sonhos e continuaram empreendendo. É importante lembrar que o Sebrae/ES está sempre à disposição para auxiliar mulheres em seus empreendimentos, com capacitações, mentorias e atendimentos e outros serviços, para que mulheres realizem o desejo de empreender“, destaca a gerente do Sebrae/ES, Adriana Rocha.

Fotos: Arquivo pessoal

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