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Sucesso e Negócios

Empreendedorismo feminino na veia

Fora do mercado formal de trabalho, administradora de Sooretama faz sucesso transformando frutas do pomar da família em doces da época da avó

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Funcionária pública na área administrativa por 20 anos, Mary Hellen Gobetti, 41 anos, formada em administração, sempre teve vontade de empreender usando o sítio da família. De origem simples aprendeu desde criança a fazer bom uso de tudo que tem. E justamente daí veio o pulo do gato.

Desempregada há três anos e passando mais tempo em casa, Mary percebeu que no pomar da família, no Sítio Gobetti, no Córrego Chumbado, interior de Sooretama, muitas frutas se perdiam e começou a fazer doces para o consumo de casa. Sem conseguir se recolocar no mercado de trabalho, há dois anos, quando veio a necessidade de ter uma renda, transformou o que era um passa tempo em um negócio.

Mary faz doces de corte, cristalizados, geleias e doces de colher

Eu gosto de cozinhar principalmente essa parte de doce, sou muito curiosa nessa área e comecei a fazer alguns doces com essas frutas, olhando receitas na internet, colocando meu jeitinho. Quando veio a necessidade de arrumar outra renda, comecei a fazer cocada de cacau com coco e pó de café, ambos com matéria prima da propriedade, depois de um tempo comecei a fazer também as geleias e deu super certo”.

Hoje ela faz doces de corte, doces cristalizados, geleias e doces de colher.  Mary conta que não tem plantação de frutas, apenas de cacau, e que aproveita mesmo apenas as frutas do pequeno pomar. “Vou fazendo os doces que aproveitem as frutas que tenho, coco, mamão, manga, biribá, laranja, cacau, araçá boi, pitanga, jabuticaba, jaca, e as pessoas provam e gostam“.

Toda produção é feita com frutas do pomar da família

Receitas da vovó

O diferencial dos produtos “Sabores do Sítio”, está no preparo. Mary quer resgatar as receitas feitas pelas nossas avós, que usavam apenas o que tinham no quintal.

Minha intenção é resgatar a receita que a vovó fazia. Antigamente não tinha tanto leite disponível, por exemplo, era tudo mais fruta e açúcar. Resgatar essas receitas e ter um produto diferenciado, sem leite, com menos açúcar, açúcar de qualidade, como demerara ou o mascavo, afinal o melhor doce é o que você sente o sabor da fruta para depois sentir o açúcar. E alguns faço sem, como o de banana, que não coloco açúcar”.

Novos mercados

Atenta ao crescente mercado de produtos saudáveis e diferenciados, Mary começa agora um processo de melhoria e adequação da parte visual do produto para comercialização em pontos de venda. Por enquanto tudo que produz é vendido pelo instagram e na Feira Empreendedora.

“Minha vontade é expandir para outros mercados. Já faço tudo dentro das normas, mas vejo essa necessidade de ter um produto com uma embalagem mais bonita, apresentável, com os valores nutricionais para que as pessoas vejam o que estão consumindo”.

Outro sonho da empreendedora é transformar o sítio em um espaço para visitação, e quem sabe ter sua loja própria. “O projeto não é só vender doce, mas sim transformar o sítio num lugar de turismo. Pretendo fazer alguns caminhos, tipo trila, colheita de frutas da época”.

Qualificação e cooperação

Desde quando começou a comercializar seus produtos Mary foi em busca de conhecimento e capacitação. Ela já fez vários cursos do Senar e em um deles, o “Mulheres em Campo”, precisou fazer, como requisito do curso, uma feira empreendedora. O resultado foi tão bom que o grupo de alunas, formado por seis mulheres, resolveu fazer a feira uma vez por mês.

“São seis mulheres, todas engajadas em um tipo de negócio ou vontade de começar. Gostamos da experiência, do resultado da feira, e resolvemos fazer uma vez por mês”, conta.  

Mulheres como a Liliane Sessa de Souza, 37 anos, do Sitio Água Boa, próximo ao Chumbado. Recentemente a família de Liliane começou a produzir café conilon especial e a feira é para ela uma oportunidade de mostrar e vender o produto.

Nunca me vi vendendo em uma feira. Achava mesmo que não era para mim. Mas as oportunidades surgiram, nos empolgamos e agora já vamos para segunda edição. É sem dúvida uma satisfação muito grande saber que fomos nós, mulheres, que fizemos tudo para que a feira acontecesse”, explica a empreendedora.

Liliane Sessa de Souza produz café conilon especial

Quem também faz parte do grupo é a Claudia Pereira Rigato, do Sítio Coqueiro. A família dela produz verduras orgânicas e vende para supermercados da região. Em busca de novas oportunidades Claudia quer comercializar sua verdura processada, entregar já higienizada e embalada.

Vejo no beneficiamento das verduras uma forma de agregar uma renda familiar a mais. Por isso fui em busca do curso do Senar para adquirir cada vez mais conhecimento”.

Fotos: Arquivo pessoal

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