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Mulheres que inspiram

Fazendo a diferença

Há 23 anos dona Joana Belizário criou o grupo “Amigas da Maternidade”. Com cerca de 70 voluntárias o grupo ajuda a maternidade SUS do Hospital Rio Doce de diversas formas

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Em 1998, quando fazia parte da Pastoral da Saúde, da igreja católica, dona Joana Belizário visitava com frequência a maternidade do Hospital Rio Doce. Foi por meio dessas visitas que ela percebeu a carência de muitas mães, que em muitos casos não tinham nenhuma peça de roupa para vestir no bebê recém-nascido.

Sensibilizada com a situação, e com o objetivo de ajudar essas mulheres e seus bebês, dona Joana reuniu um grupo de senhoras da comunidade e criou o projeto ‘Amigas da Maternidade”.

“A gente via aquelas mulheres pobrezinhas, sem nada para seus bebês, sem uma fralda, sem enrolador, e aquilo me dava uma tristeza. Na época eu tinha loja de tecidos, eu vinha na loja pegava as flanelas, cortava, fazia bainha e levava para elas e assim começamos”, conta dona Joana.

O grupo iniciou tímido, com apenas sete mulheres. No começo elas compravam flanelas e costuravam, elas mesmas, os casaquinhos e enroladores para serem doados. Mas, com o passar do tempo, e o apoio da direção do hospital, o grupo ganhou força. Atualmente são aproximadamente 70 voluntárias.

O que era apenas para ajudar as mães que precisavam de enxoval, se tornou um importante apoio para maternidade SUS do hospital, como um todo. Aos 86 anos, e impossibilitada de participar ativamente do grupo devido à idade, dona Joana fala da alegria de ver que o que começou de forma modesta ganhou força e hoje faz diferença na vida de muitas mulheres.

“Eu me sinto feliz de ver que foi em frente, começou pequenino, eu, Celina, Ozilia e Noelita, e o grupo cresceu. Eu não posso mais ajudar, mas tem outras pessoas que chegaram, que se juntaram a Carol e estão continuando esse trabalho. Para mim é motivo de alegria”.

Sala Joana Belizário

Em 2018 o hospital criou a Sala do Voluntariado e deu o nome de Joana Belizário, uma homenagem a dona Joana.  

Dona Joana no dia da inauguração da Sala do Voluntariado

A sala fica aberta todos os dias, de segunda a sexta-feira, e recebe doações de itens de higiene pessoal, fraldas e roupas de bebês, para maternidade. Recebe também itens diversos como roupas, sapatos, acessórios e brinquedos, novos e usados, para serem vendidos no bazar solidário.

Grupo ajuda maternidade em várias áreas

Ao longo desses 23 anos de existência são inúmeras as conquistas das amigas em prol do bem-estar das gestantes e humanização da maternidade. Além da doação de enxoval, fraldas e itens de higiene para mães e bebês que precisam, as “Amigas da Maternidade” ajudaram na reforma e ampliação da maternidade, feita recentemente, possibilitando a abertura de novos leitos, aquisição de cadeira do papai para os acompanhantes, doação das cortinas para sala de pré-parto, doação de roupa de cama, toalhas de banho, camisolas, mantas para bebês e mantas para as mães.

Enxoval doado para maternidade SUS, pelo grupo de voluntárias

Também vale ressaltar que o trabalho desempenhado pelo grupo de voluntárias contribuiu de maneira significativa para reabertura e ampliação, de 6 para 10 leitos, da UTIN do Hospital Rio Doce.

Mãos incansáveis

Para angariar fundos e manter o projeto social, além da doação em espécie, feita pelas voluntárias, as “Amigas da Maternidade” realizam algumas atividades durante todo ano. Entre elas o Brechó Solidário, Chá das Amigas, ação entre amigos, feijoada e a noite de caldos.

8ª edição do Chá das Amigas realizado em 2016

Com a pandemia o desafio ficou ainda maior. A presidente do grupo, Carolina Lavigne Castello Branco Moreira, diz que foi preciso se reinventar. “Impossibilitadas de fazer as ações que sempre fizemos o desafio de manter o grupo aumentou. Foi preciso se reinventar”, destaca a Presidente.

Carol conta que nesse período fizeram a cesta junina. “As voluntárias fizeram os produtos, bolos, canjica, papa, cocada, geleia, ganhamos as caixas e transformamos em cesta, vendemos virtualmente e entregamos. Foi um sucesso e serviu para reanimar o Grupo”.

Mesmo com algumas restrições e cuidados sanitários, devido a pandemia, este ano elas fizeram um brechó, que deram o nome de Brechó Gratidão. “Demos esse nome como forma de agradecer. Graças a Deus não perdemos nenhuma voluntária para covid“. Elas também vendem artesanato, peças feitas pelas próprias voluntárias.

Fotos: Rosi Ronquetti

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