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Mulheres que inspiram

Força do alto

Dete se divide entre os cuidados com a mãe acamada e do irmão, também idoso, sempre com um sorriso no rosto

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Se te perguntassem até que ponto está disposto a abrir mão dos seus planos e da sua liberdade para cuidar integralmente dos seus pais, ou de algum familiar, qual seria sua resposta?

A resposta da Valdeti Luzia Tesh de Oliveira, 59, foi sim. Casada e com duas filhas, uma de oito e uma de cinco ano, ela abriu mão da sua casa própria para morar em uma casa no quintal dos pais e ajudar a sua mãe cuidar da avó e do irmão com síndrome de Dawn.

“Minha mãe começou a ter labirintite e tinha meu pai, minha avó e o meu irmão Vílasio, que é especial e precisa de cuidados. Então eles fizeram o convite ao meu marido para gente ir morar no quintal deles e ajudar cuidar, e ele aceitou, e se ele aceitou eu também aceitei, por que ele me ajudava, então nós vendemos nossa casa e fomos”, conta Dete, como é conhecida.

Pelas mãos dela foram cuidados, até o último instante de vida, o pai, a avó e também o esposo, que teve câncer e faleceu dentro de poucos meses. Após sua morte Dete ficou com a missão de cuidar sozinha da mãe e do irmão, hoje com 56 anos e também um idoso devido a síndrome.  

Além de todos os familiares já citados neste texto, ela também cuidou de uma sobrinha, desde muito pequena, para a irmã trabalhar e foi babá de um menino, desde bebê, até o momento que ele não precisava mais de cuidados. 

DOAÇÃO TOTAL

Atualmente a mãe tem 97 anos e encontra-se acamada, devido uma queda que provocou a quebra do fêmur, o que exige dedicação total da filha, impedindo que ela tenha vida social.

Dete com a mãe, dona Emília, e o irmão Vílasio

“Muitas pessoas dizem por que não levo ela para casa de um irmão, que é para eu deixar outro cuidar, mas eu prometi cuidar da minha mãe e por isso não deixo ela com ninguém, faço por onde sempre fazer o melhor para que ela tenha qualidade de vida, mesmo estando acamada. Minha irmã quer que eu vá para praia que ela cuida de mamãe, mas eu não vou, prefiro ficar, sempre acho que ela não será bem cuidada”.

PERSEVERANÇA E AMOR

Para fazer tudo com muito carinho, cuidar de si mesma e estar sempre com um sorriso no rosto, ela encontra, como ela mesmo diz, “força em Deus”. Para ela, estar bem, é ver a mãe bem.

Minha força vem de Deus. Se não fosse Deus eu não seria essa pessoa que sou. Peço muito a Ele para me dar força de cumprir minha missão, por que minha mãe merece. Apesar de tudo estou bem, bem comigo mesmo, alegre, eu só quero o bem dela. Quando ela se for quero estar com minha consciência tranquila”.  

Assim como qualquer um de nós, Dete também gosta de sair, passear, ver pessoas e interagir, mas a atenção com a mãe vem em primeiro lugar. Se ela se arrepende de um dia ter dito aquele sim? A resposta é não, e ela vai além, se preciso fosse faria tudo de novo.

 “Às vezes sinto vontade de sair, ir à praia, que amo, mas aí volto atrás e lembro que tenho uma missão. Se tivesse que voltar no tempo, faria tudo de novo. Não me arrependo. Me apego em Deus e sigo. Eu estou nessa vida é para servir, eu penso assim, e tenho que servir com amor, alegria e confiança em Deus em tudo que faço”.

Fotos: Arquivo pessoal

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