Conecte-se conosco

Colunista | Elâyne Alvarenga

Gravidez tardia!

O fator idade pode potencializar as angústias e as dificuldades, próprias da gestação, o que requer uma atenção psicológica maior para mulheres que deixaram a maternidade para depois dos 35 anos

Publicado

em

De acordo com pesquisas recém-publicadas, tem aumentado no Brasil o número de mulheres tendo sua primeira gestação após os 35 anos. O Ministério da Saúde (MS) destaca que a gravidez tardia é compreendida como aquela que ocorre em mulheres com idade igual ou superior a 35 anos. Porém, é preciso estar atenta. O fator idade pode potencializar as angústias e as dificuldades, próprias da gestação, o que requer uma atenção psicológica maior para mulheres que deixaram a maternidade para depois dos 35 anos.

As estatísticas mostram que muitas dessas mulheres construíram um planejamento familiar e os principais motivos para optarem por uma gravidez tardia estão relacionadas a busca de novos modelos de vida, à crescente inserção no mercado de trabalho, maior nível de educação e qualificação profissional, segurança da mulher em relação conjugal, estabilidade econômica, o desenvolvimento da medicina reprodutiva e avanços científicos na área da saúde. Ou seja, elas vêm buscando maior igualdade de gênero e independência, entre outros.  

Conforme apontam pesquisas realizadas em uma instituição hospitalar do Paraná (2017), a gestação em idade avançada predispõe a maiores riscos obstétricos, como obesidade gestacional, hipertensão, diabete gestacional, pré-eclâmpsia e outros. 

A idade avançada também implica significativamente no processo da fertilidade feminina, visto que o percentual reduz para um terço em mulheres entre 35 a 40 anos. Associado a dificuldade para concepção denota-se aumento da exposição dos fetos a doenças adquiridas durante a gestação, bem como comorbidades maternas citado na pesquisa acima.

Diante das circunstancias pela escolha por uma maternidade tardia, é imprescindível a atenção psicológica a essa mulher, que passará por mudanças biopsicossociais durante o período gestacional.  

No dia a dia do consultório, atendendo gestantes, meu papel enquanto psicóloga perinatal, é ajudar conforme a necessidade de cada umas delas. O objetivo é acolher as angustias, inseguranças e medos que o período gravídico puerperal exige, proporcionado um gestar mais leve.  Especialmente as mulheres em idade avançada que desejam engravidar, e que necessita de maior acolhimento e escuta ativa, como forma de promoção a saúde mental materna.  

A escolha pela gravidez tardia engloba vários fatores e um deles é o fator biológico, e muitas optam por realizar o procedimento de fertilização in-vitro. Logo, diante das várias tentativas naturais malsucedidas a busca por um profissional especializado se faz necessário, e com isso percorre também um longo caminho para o sofrimento psicológico.

As complicações advindas de uma gestação tardia, seja de uma má-formação fetal ou aborto espontâneo, potencializa mais este sofrimento psicológico.  

As mulheres que optaram pela sua primeira gestação em idade avançada também vivenciam certos tipos de comentários desagradáveis tanto de familiares, de amigos e até mesmo na empresa onde estão inseridas, muitas delas se sentem excluídas, muitas notam olhares atravessados.

Uma disse: “Eu sofri muito preconceito depois que contei para as pessoas que estava grávida“. Outra comenta: “A mulher grávida em alguns locais se torna inútil, no meu caso, uma técnica de radiologia grávida não teria como atuar e não produziria o que era esperado“.

Todos esses pontos reforçam a necessidade de um acompanhamento psicológico por parte dessa gestante para que esse seja um período saudável física e emocionalmente.

Por Elâyne Alvarenga- Psicóloga Perinatal

destaques