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Colunista | Sâmella Rapina

O impulso da fé em meio à depressão

Sâmella Rapina é cristã, casada, palestrante e mentora de mulheres, ensinando sobre fé, saúde mental, relacionamentos e vida cristã.

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O mês de setembro traz consigo a campanha de prevenção ao suicídio e com isso muitas ações religiosas são desenvolvidas para oferecer apoio e informação às pessoas. Pesquisas revelam (CSPP) que existe uma correlação positiva entre a fé, qualidade de vida e bem-estar no enfrentamento de doenças.

Como toda moeda tem dois lados, a participação da fé e espiritualidade no processo de pessoas com depressão e ideação suicida, pode produzir efeitos positivos, mas também adversos, e é isso que irei compartilhar com você neste breve texto.

O lado positivo: por que as pessoas recorrem à fé?

Por que será que pessoas com doenças graves se aproximam da fé? Por que isso acontece mesmo com aqueles que estão depressivos? No livro de Romanos no capítulo 5 e versículos 3-4, aprendemos o seguinte ensinamento bíblico:

“[…] também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, produz esperança.”

É um fato, que todos nós precisamos de esperança para viver e esperar coisas boas e novas do futuro. Ao passar por momentos difíceis, pessoas que encontram em Deus um alicerce para enfrentar toda e qualquer situação, se tornam imbatíveis aos nossos olhos e geralmente nos surpreende a força que elas têm. Elas encontram um impulso na fé, para a qualidade de vida, mesmo em meio à dor. Precisamos saber no entanto, que isso não vem de uma mera força de vontade, mas do Espírito de Deus, como está escrito:

“E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.” Romanos 5:5

A sua fé é aprovada, aprofundada e fortalecida em meio ao caos da depressão ou da ideia de tirar a própria vida, pois quando você questiona essa escuridão dentro de si e todos esses pensamentos, percebe que assim como a força lhe falta, as respostas estão muito além de você, e estão acessíveis no Senhor Deus, que está “perto dos que têm o coração quebrantado, e que salva os de espírito abatido” (Sl 34.18).

É isso o que a fé em Cristo nos traz: uma esperança que está além de nós mesmas. Uma força que vai além do que podemos suportar. Uma capacidade que está além da nossa compreensão, mas que pela fé, sabemos que é real.

A dificuldade, por pior que pareça, produz maturidade em nós, e ela não significa o abandono de Deus, mas sua real presença mesmo em meio a tudo o que viver nesta era, pode representar.

O outro lado da moeda…

O perigo para o qual precisamos estar em alerta, também é encontrado em pesquisas (EDIPUCRS) que revelam que muitas pessoas abandonam um tratamento médico adequado ou afastam-se das ferramentas da ciência para buscar exclusivamente a fé na cura de uma grave doença, o que revela uma concepção errada sobre a fé e uma interpretação equivocada sobre o papel da espiritualidade nesse contexto.

É importante que você saiba, que a ciência, o psiquiatra ou psicólogo, não vieram para substituir a eficácia da espiritualidade, da sua fé, da leitura bíblica ou sua comunhão com Deus. Eles não precisam estar em batalha. A ciência é boa. Por mais que seja incompleta, é uma forma de experimentar a graça de Deus, que capacitou o ser humano a criar, cuidar, instruir, conhecer a mente humana (mesmo que parcialmente) e por isso hoje, você pode buscar ajuda e cuidar de tudo aquilo que não tem dado conta sozinha.

Lembre-se: Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes. Tiago 1:17

Foto: Fa Barboza

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