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Colunista | Gilmara Caliman

Pós-parto e o furacão hormonal

Gilmara Caliman é mãe, dona de casa, esposa, empreendedora e, mãe que apoia mães.

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Querida amiga, leitora e mãe, acabei de mandar as crias para escola (oh benção \o/), já estou com meu café aqui e pensando em como começar a te contar sobre a segunda gestação. É que antes de entrar nessa prosa, preciso TE CONTAR sobre as alterações emocionais que aparecem depois que ganhamos o nosso pacotinho de amor, aquele furação de sentimentos que tem nome e sobrenome. No próximo texto voltamos a programação normal desta coluna maternal.

Então vejamos, você sabia que logo após o parto o nosso corpo passa por uma transformação hormonal e um sentimento de luto?! Onde morre aquela mulher e nasce uma mãe. Morre aquele corpo que tinha uma barriga linda da gestação e nasce um corpo meio sem forma. Morre o egoísmo e nasce a divisão…

Você sabia que existe o baby blues, a depressão pós-parto e o puerpério?!

O baby blues normalmente acontece quando a recém-parida chega em casa com sua cria e percebe que está sozinha, sem médicos e enfermeiros para orientá-la. É caracterizado por uma tristeza profunda e sem explicação, choro fácil, irritabilidade, mudanças de humor, sensação de fragilidade, e tudo isso pode durar até 45 dias após o parto.

Então vamos lá, busquei algumas mamães que passaram por essas fases para contar um pouco sobre o assunto:

Chorava com o vento, era uma sensação de angustia que beirava a dor física” Dayse Monte

Eu imaginava que viveria um conto de fadas pós maternidade, mas eu tinha um cansaço extremo, parecia que carregava o mundo nas costas, me sentia sem valor, uma inútil” Uly Dayara Fernandes

Tinha uma tristeza profunda como se estivesse de luto e isso me gerava uma culpa muito grande pois minha filha estava nos meus braços saudável” Pamela Pegoretti

Eu não tinha rejeição com o bebê, mas era triste, era para comemorar a chegada da minha filha e eu não encontrava felicidade nisso tudo” Simone Gomes da Cruz

Todo dia, no mesmo horário eu tinha uma crise de choro, eu queria estar perto do Miguel, mas também queria que alguém segurasse ele. Era entardecer e eu começava a chorar, muito nervosa, queria ficar sozinha, queria só meu marido e foi num desses dias que meu esposo me sugeriu que conversasse com a minha ginecologista obstetra, e foi através de um artigo enviado por ela que percebi que me enquadrava em 90% do que estava ali e que todo mundo passa por isso” Paula Cazotti

O baby blues acontece praticamente em 50% das mulheres, ou seja, você pode ter tido e nem sabia que era isso ou você não teve nada disso e talvez sua amiga sim.

Então qual a diferença do baby blues para a DPP – Depressão Pós-Parto?

A DPP traz as mesmas características do Baby Blues, porém muito mais acentuada e intensa, e há casos em que a mãe não tem ânimo para cuidar do bebê, muito menos dos afazeres da casa e pode ter fortemente o desejo de abandonar o recém-nascido.

E o puerpério?!

“Puerpério é o período após o parto até que o organismo da mulher volte às condições normais (pré-estação). Assim, ele se inicia com a saída da placenta e termina com a primeira ovulação, que será seguida de menstruação. Sua duração costuma ser variável, especialmente por conta da amamentação, uma vez que esta bloqueia a ovulação. Assim, mulheres que amamentam têm puerpério mais duradouro. ” https://vidasaudavel.einstein.br/o-que-e-e-quanto-tempo-dura-o-puerperio/

É quando a gente começa a entender que a gente não “tá” entendendo nada do que “tá” acontecendo e o furação parece não passar, que tudo “tá” bagunçado e destruído, sem hora pra acabar. Vou te contar mais detalhes do meu puerpério na próxima semana.

Eita que a conversa ficou seria né?! Mas precisava trazer um pouco dessas fases por que ninguém me contou e eu também não fui atrás para preparar meu emocional, cuidei do físico, montei o quartinho, fiz reserva financeira, mas ESQUECI de olhar para dentro.

E como passar por essas fases?!

Ler sobre, estar teoricamente preparada, falar sobre seus sentimentos com outras MÃES recém paridas, ou até mesmo ir em busca de ajuda psicológica. Tudo isso pode melhorar ou amenizar bastante esse turbilhão de sentimentos. É a rede de apoio, aquelas pessoas (mães, pais, sogros, cunhadas, comadres, qualquer ser humano que respira e que consiga segurar um bebê em segurança) que amam a gente, e também as que você paga para te ajudar dentro de casa (coisas que não precisa ser feitas pela mãe recém parida, coisas que qualquer pessoa pode fazer).

São pessoas que você pode ligar e falar: preciso de ajuda, preciso lavar meu cabelo, preciso tomar um banho sem sair pelada correndo pela casa ouvindo o choro do bebê e chegar no quarto ele estar DORMINDO. Quem nunca?! rs

E lembrar de informar ao marido que ele NÃO é rede de apoio, mas esse assunto volta em outro dia (esse vai render). Portanto, para fechar nosso encontro de hoje, eu lhe digo que a maternidade é linda, o que estraga é o puerpério.

“Cê” ficou passada ou já sabia disso tudo?! Me conta se você passou e como saiu dessa fase, você leu artigos ou já foi direto para ajuda psicológica?!

Para finalizar, recebe meu abraço apertado para você que passou por tudo isso sozinha ou vai passar, ou está passando. Daqui para frente nós estamos unidas pela maternidade!

Agora você já pode ir indo, que eu vou terminar umas coisinhas aqui enquanto as crias não voltam da escola. Meuuu paiiiii…já são 16:45……….fui

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