Conecte-se conosco

Sucesso e Negócios

Professora da Ufes é única estrangeira em livro francês que populariza a ciência

O livro aborda temas ligados à saúde, respondendo de forma objetiva e direta dúvidas sobre doenças e condições físicas que geralmente costumam deixar os pacientes em situações desconfortáveis e constrangedoras.

Publicado

em

A médica, professora e chefe do Departamento de Medicina Social do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Ufes, Patrícia Deps, é a única pesquisadora estrangeira a participar do livro Essas questões que você não ousa perguntar para seu médico (Ces questions que vous n’osez pas poser à votre médecin).

O livro aborda temas ligados à saúde, respondendo de forma objetiva e direta dúvidas sobre doenças e condições físicas que geralmente costumam deixar os pacientes em situações desconfortáveis e constrangedoras. Dentre elas estão: transpirar demais, ter muitos ou poucos pelos pelo corpo, sofrer de incontinência urinária, mau hálito, pele muito oleosa, odor excessivo no corpo, dores durante o ato sexual, manchas na pele, perda de pelos, entre outras. O objetivo era publicar um livro que quebrasse alguns tabus relacionados ao corpo humano, em uma linguagem acessível para a população.

Inicialmente, a professora Patrícia foi convidada para escrever apenas um capítulo sobre as doenças dermatológicas que poderiam causar desconforto físico ou psicológico nos pacientes. Posteriormente, ela foi convidada para abordar outros temas e acabou assinando três capítulos: um sobre situações da pele, outro sobre alterações dos pelos, e um terceiro sobre glândulas sudoríparas e sebáceas, que produzem suor e odores.

“São situações que costumam deixar as pessoas desconfortáveis, ao ponto de não ousarem questionar os profissionais da saúde para entender o que está acontecendo com o próprio organismo. Algumas questões nem são sobre doenças. A intenção é tentar atenuar o constrangimento e popularizar a ciência. Assim, o livro não traz só o problema, mas também tratamentos médicos e as causas das doenças ou, quando é possível, dicas do que pode ser feito em casa”, explica a médica. 

A pesquisadora ressalta que os médicos que participaram do livro utilizaram de muita didática nos textos, inclusive recuperando referências históricas ou da cultura popular para mostrar que algumas dessas condições sempre existiram e fazem parte da vida de muitas pessoas, inclusive de celebridades.

É preciso sair do jargão profissional e do tecnicismo médico e falar em palavras simples para uma pessoa comum, para quem tem aquela situação e se vê naquele quadro. Foram capítulos nos quais a gente teve que fazer uma popularização da ciência, voltada para a desestigmatização de algumas situações,” explica Deps.

Coordenado pelo médico francês Philippe Charlier e publicado em francês pela editora HumenSciences, a obra conta também com as participações dos pesquisadores Nadia Benmoussa, Patrick Rainsard, Natalie Rajaonarivelo, Jean-David Zeitoun, Vincent de Parades e Pierre Desvaux – todos franceses.

Atuação

A professora Patrícia Deps também atua na área da hanseníase, doença que estuda há mais de 20 anos. Atualmente, participa de um projeto celebrado entre a Ufes e a CentraleSupélec, um dos principais polos de engenharia da França. “O trabalho desenvolvido entre as duas instituições visa estabelecer um modelo matemático para estudar a tendência de casos de hanseníase no Brasil e no mundo”, explica. Segundo Deps, o Brasil é o segundo país com mais casos da doença, atrás somente da Índia.

Em 2020, a pesquisadora realizou um estudo inédito sobre os crânios das catacumbas da cidade de Paris, que foi destaque na revista britânica Annals of Human Biology. Intitulado Leprosy in skulls from the Paris Catacombs, o artigo relata a pesquisa da professora, que estudou 1.500 crânios com o objetivo de avaliar as alterações ósseas típicas da hanseníase, doença que era conhecida no Brasil como lepra.

Em 2019, lançou o livro O Dia em que mudei de nome: hanseníase e estigma (The day I changed my name: leprosy and stigma). A obra, bilíngue, apresenta os resultados do projeto de extensão coordenado pela professora entre os anos de 2014 e 2017. O objetivo foi avaliar a repercussão do isolamento compulsório dos hansenianos e de suas famílias na sociedade capixaba, incluindo entrevistas com ex-internos do Hospital Colônia Pedro Fontes, familiares, funcionários do hospital e do Educandário Alzira Bley (para onde eram levados os filhos dos doentes), religiosos, diretor e ex-diretores clínicos do hospital, além de contar a vida do padre Mathias Hahn e sua atividade na Colônia.

Formada em Medicina pela Ufes, com pós-doutorado pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres/Inglaterra e na Universidade de Versalhes (UVSQ)/França, a professora Patrícia Deps possui doutorado em Dermatologia e mestrado em Doenças Infecciosas. É professora do curso de Medicina da Ufes e da pós-graduação no curso de Doenças Infecciosas. Tem várias pesquisas e trabalhos de extensão nas áreas de hanseníase, direitos humanos e saúde, saúde global e dos imigrantes, HIV/Adis, antropologia médica, história da medicina e paleopatologia das doenças infecciosas.

Foto: Reprodução Instagram

destaques