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Colunista | Elâyne Alvarenga

Silenciadas: o lado invisível do parto

Elâyne Alvarenga é psicóloga perinatal, com foco em pré-natal/pós-parto psicológico e orientação parental e atende casais grávidos, gestantes e puérperas

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a violência como o “uso intencional de força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade que resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação”.

Mas e a violência obstétrica, o que é?

É quando uma mulher que está parindo, ou a mulher no pós-parto, é tratada com desrespeito, de forma inadequada, pelos profissionais da saúde. Apesar do nome ser violência obstétrica não significa que é cometida apenas pelo obstetra, qualquer profissional da saúde pode cometer, sendo negligente durante o atendimento à mulher grávida.

Como identificar? Em geral muitas mulheres, vítimas de violência obstétrica, não sabem que vivenciaram. Um exemplo é a episiotomia, um corte no períneo durante o parto para a passagem do bebê, que só deve ser realizado se tiver indicação para isso, não havendo necessidade de fazer em mulheres saudáveis, e que sem saber dessa informação, ou por achar que o procedimento é normal, que é comum, porque a vizinha fez, a mãe ou sua avó também fizeram, não denunciam.

Dilacerar a vagina da mulher que não queria, ou não tinha necessidade, é uma violência obstétrica.

Além disso, qualquer tipo de atendimento que coloque essa mulher em exposição vexatória, psíquica, física, sexual ou verbal, comentários do tipo “na hora de fazer, você não reclamou” ou “se você continuar gritando assim seu bebê vai nascer surdo” e também “se dificultar meu trabalho, não tenho mais como te atender”, são considerados violência obstétrica. Vemos também relatos tristes de mulheres que durante o parto sofreram violência sexual na hora do toque feito por mais de dois profissionais diferentes.

Pesquisas realizadas no Brasil investigaram mulheres gestantes que passaram por isso. E pasmem, 25% delas relatam ter sofrido violência obstétrica ou violência simbólica. O assunto é muito sério e deve ser amplamente discutido para que mais mulheres tenham esse conhecimento. Uma violência pode tornar o momento do parto extremamente traumático. O risco é trazer prejuízos psicológicos para ela no pós-parto e vir a desenvolver um estresse pós-traumático.

Elayne Alvarenga da Conceição
CRP16/7216
Psicóloga Perinatal

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião do TuBusca Elas encontram

Foto: Carla Raiter

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