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Moda e Beleza

Você sabia: roupas femininas terão padronização no Brasil

A norma oferece novos referenciais de medidas para as marcas com base em dois tipos de corpos mais frequentemente observados nas mulheres brasileiras

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Que mulher nunca se decepcionou ao provar uma roupa da sua numeração que não ficou boa no seu corpo? Com o objetivo de padronizar as unidades de medidas do vestuário, facilitando assim, o processo de confecção e o dia a dia dos lojistas, além de melhorar as experiência das consumidoras, a Associação Brasileira de Normas Técnicas, ( ABNT) publicou no final de 2021 a norma NBR 16933, que padroniza os tamanhos de roupas femininas no país.

A norma oferece novos referenciais de medidas para as marcas com base em dois tipos de corpos mais frequentemente observados nas mulheres brasileiras: “retângulo” e “colher”. O Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário da ABNT chegou à conclusão que estes são os tipos físicos mais comuns a 80% das brasileiras após levantamento através de softwares específicos de simulação do corpo humano.

O levantamento foi feito em parceria com representantes do setor — entre eles, o Senai Cetiqt, estilistas, entidades com a Associação Brasileira do Plus Size (ABPS) e redes varejistas como a Renner, e também levou em consideração a experiência de profissionais da área de confecção.

No caso do biótipo “retângulo”, as medidas de busto e quadril são semelhantes, enquanto a cintura não é bem marcada. Já a “colher” seria a silhueta com quadril maior que tórax e laterais mais arredondadas.

De acordo com a superintendente do Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário da ABNT, Maria Adelina Pereira, o grande desafio era a questão de o Brasil ser um país continental, com miscigenação ampla e, ao mesmo tempo, oferecer biotipos das mais diferentes etnias. “Essa era a grande dificuldade”, disse.

Ainda segundo a Maria Adelina, havia empresas que desejavam essa norma como uma orientação e outras que preferiam ter o cliente no provador. A pandemia covid-19 demonstrou como é difícil levar o cliente ao provador que, em muitos casos, não tem espaço desejado. Ainda segundo a superintendente, tem a questão do suor e da maquiagem que podem manchar as peças que estão sendo provadas. “Tudo isso é uma grande motivação para se tentar reduzir a ida ao provador.” 

A superintendente destacou, “com o advento do e-commerce [comércio eletrônico] explodindo na pandemia, se viu que é possível fazer uma venda sem, necessariamente, a pessoa entrar na roupa e aprovar a compra. Isso foi muito positivo e fez com que as marcas, as lojas, as fábricas, vissem que o sistema de vestibilidade, que consiste em declarar a medida que a modelista utilizou, é muito útil”.

Consenso

Antes da publicação, a norma passou por vários estudos e por duas consultas nacionais até que o comitê chegasse a um consenso, para que o texto pudesse virar um documento técnico para a sociedade. A norma é voluntária. A confecção ou marca adere se quiser. 

Maria Adelina disse, contudo, que a adesão tem sido grande por parte das empresas, que estão entrando em contato com a ABNT no sentido de, principalmente, comparar o que elas praticam atualmente nas suas tabelas de medida com o seu perfil de público para ver se estariam dentro do que a norma sugere na tabela de exemplos e medidas para o corpo retangular e para o corpo colher. A superintendente disse que não houve manifestações contrárias.

O corpo retângulo predomina nos quase 10 mil corpos que foram medidos em todo o Brasil pelo Senai Cetiqt. As medidas de busto, cintura e quadril têm diferenças muito pequenas, que acabam estabelecendo essa figura geométrica. Já o corpo colher não é reto do busto à cintura, mas apresenta diferença muito significativa para o quadril.

Maria Adelina disse que a centimetragem é um sistema já adotado em outros países, como os Estados Unidos, por exemplo. “Facilita muito”, disse. 

As peças têm tags, ou etiquetas, que orientam os consumidores na hora da compra, informando medidas de tórax, no caso de homens, por exemplo; de estatura, no caso de crianças. “Nessa indicação da vestibilidade, a centimetragem ajuda muito na escolha, na redução de troca na loja, no acerto para quem dá um presente”. 

Maria Adelina não duvida que a tendência será de adoção da nova norma pelo setor têxtil e de vestuário.

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